sábado, 20 de junho de 2026

Uma visita à igreja...

Fui visitar uma daquelas igrejas enormes, em um dos dias em que ela estava mais cheia, nenhum banco vazio pelos corredores gigantes. Muitas pessoas estavam fazendo suas preces em pé, nos cantos, apinhadas, apertadas entre os ombros de quem fazia de tudo para estar ali. Somente o corredor central estava livre, uma reverência, uma conveniência, um respeito absoluto pelo caminho de quem mais quisesse entrar e se aventurar para encontrar um canto para se espremer e então participar da comunidade dos encolhidos.

Enquanto caminhava para a saída, pois naquele ambiente não parecia haver fé, apenas fervor, reparei que havia um banco onde apenas um senhor estava sentado, sozinho. Um banco onde sentariam 7 pessoas, apenas um lugar estava preenchido. E ao redor do banco, também não havia ninguém apertado, parecia que evitavam qualquer espécie de contato com aquele homem.

Chegando mais perto, era um jovem, alguém com quem se cruzássemos pela rua, não chamaria nossa atenção por nenhuma razão particular. E ali, era impossível desviar o olhar. Que tipo de história essa cena estava tentando me contar? Que tipo de energia fazia aquele jovem ter um banco da enorme igreja só para ele, quando todos ao redor, quase lutavam, por um espaço onde se espremer?

A vontade de ir embora passou, a curiosidade venceu. Sentei a 2 espaços do jovem e de cabeça baixa e olhos entre abertos observava tudo que podia, fingindo uma prece. Qualquer movimento, reação, som, expressão era possível perceber, pois todos estavam em completo silêncio.

Ocasionais tosses, suspiros e o inconfundível trocar de posição dos pés cansados de ficar em pé foram os únicos companheiros dos 10 minutos mais longos da minha vida. Se ninguém reagir, nada mais me mostrar a razão da minha curiosidade, melhor desistir. Estou desconfortável com essa situação, mas não o suficiente para ser eu quem vai quebrar o silêncio. Silêncio forçado e antinatural. Ninguém cochichava suas orações, ninguém soltava um amém chiado entre dentes, natural dos que rezam. Credo!

- É grande esse prédio, não é?

Arregalei os olhos de susto! E ao virar para o lado, o jovem me observava com um leve sorriso. Ao perceber que eu estava assustado demais para responder, ele continuou a falar, como se falasse para todos e ao mesmo tempo para ninguém:

- Eles faziam essas igrejas enormes, altas e compridas para que as pessoas se lembrem que são apenas formigas aos olhos de Deus. Sejam apenas grãos de areia no infinito poder do Senhor. Sabia que Ele nunca disse isso? - tocou meu ombro - Eu sei que você entende. Foi o único em muito tempo que conseguiu sentar neste banco comigo, sem medo... Curioso.

O que eu fiz!? As pessoas ao redor vão me culpar porque ele quebrou o silêncio só por eu ter sentado com ele. Deve ser por isso que ninguém senta aqui. O que eu faço? Levanto e saio, ou desconverso e peço para ele me deixar rezar em paz? O que eu faço?

- Olhe em volta, antes de ficar tão desesperado, eles não conseguem nos ouvir. Eles estão só com medo. Todos os dias vêm aqui, rezam e pedem para que Deus os proteja, atenda seus desejos, cure suas feridas, abençoe sua prosperidade e propriedade. Cegos para o que realmente significa rezar. Credo! - Ainda não consegui reagir, ele perguntou - Você não é daqui, não veio pedir nada. Por quê veio aqui?

Olhei em volta e ninguém mesmo se importava, continuavam a se balançar de uma perna para a outra, tossir e suspirar, como máquinas programadas para isso. E agora eu precisava pensar, por quê eu vim até aqui? Respondi que eu só queria conhecer uma das grandes igrejas históricas.

- Muito bem, então por isso não sabe quem eu sou, que bom, um credo a menos por hoje. Gostou de conhecer?

Eu não sei, estou extremamente desconfortável com essa situação. - Achei bonita, mas não me senti bem. Estava indo embora e você me chamou atenção. Por quê você está sozinho neste banco? - Já que estamos aqui...

- Direto ao ponto, gostei! Eu sou Jesus, mas não estou sozinho, apenas as pessoas não conseguem estar presentes como eu e você.

De todas as respostas que ele podia ter me dado, tinha que se passar por Jesus? Clichê que faz os fiéis acharem que conversaram com Jesus dentro dos templos históricos. Eu não preciso disso hoje, não! - Prazer Jesus, podemos só fazer nossas preces? - Sanou minha curiosidade, agora já chega, 5 minutos e eu saio.

Depois de mais ou menos 5 minutos, antes de eu me levantar - Meu nome é Jesus, mas não precisa achar que eu sou o Cristo, cara, fica tranquilo. Você não está aqui para rezar, mas mesmo assim foi a pessoa que se sentou no único banco vazio, que não superou a curiosidade e que não pensou que eu era alguém odiado pelos demais ou um pobre precisando de uma moeda. Eu percebi que estava curioso, eu sei que ninguém ao redor se importa se a gente conversar e então, puxei papo. Não precisa transformar isso em uma história de fé, nem numa pegadinha de televisão, eu não tenho dinheiro para contratar centenas de figurantes para ficar de pé esperando alguém sentar do meu lado, não. - Disse isso quase gargalhando, mas ninguém reagiu. Só uma moça atrás de nós tossiu novamente.

Então... - De Jesus o Cristo para Jesus o leitor de mentes? Como sabe que eu estava curioso?

- Eu estou gostando que você quer me dar um título especial, mas não, não leio mentes, só comportamentos por experiência. Eu sou Jesus o zelador da igreja, chego aqui antes de todo mundo e me sento neste banco antes de todo o público chegar, porém são poucas as pessoas que sentam junto comigo e comecei a perceber que se sentam perto de mim quem está curioso ou quem está com pressa. Você porém, não estava só calmo, sem pressa, como pareceu curioso de um jeito diferente, acabou me deixando curioso também sobre você. Quando te vi esperando uma reação minha, puxei assunto. Espero que não se decepcione por não ter nada de mais especial em mim. Acontece muito nas igrejas, as pessoas querem encontrar Jesus, querem ver uma mancha na vidraça que se parece com alguma santa, é da Egrégora do local. Está tudo bem. Só que exatamente por isso você me chamou a atenção: O que você queria?

E mais uma vez, Jesus me faz pensar. Eu só queria conhecer uma igreja gigante, histórica e parece que estou tendo uma experiência sobrenatural, mas acabei de ser puxado para a realidade dos fatos. E estou perplexo com isso, tudo muito rápido e muito maluco. - Eu só queria ver uma igreja enorme e histórica, mas fiquei mesmo curioso de porquê você estar sentado sozinho se a igreja está tão cheia. A curiosidade foi respondida, mas por quê você falou comigo?

- Porque eu te vi no café ontem e você me chamou atenção, fiquei surpreso positivamente quando te vi entrar na igreja hoje e ainda mais feliz por você se sentar aqui comigo e me dar a oportunidade de conversar com você. Seu nome é mesmo Marcos, ou foi só o nome que você deu para a atendente te chamar no café?

Estou num reality show? Só pode! Abismado: - Meu nome é Marcos, vamos atrás dos seus apóstolos e discípulos, Jesus? - Tentei brincar para não parecer tão nervoso.

- Não, não, relaxa, eu sou o zelador da igreja, não pregador da palavra. E não precisa ficar tão assustado, eu só ouvi seu nome porque você me chamou atenção lá na cafeteria, perdão se te assustei. Eu saio do trabalho às 14 horas, vamos tomar um café juntos hoje? Às 15 horas, na mesma cafeteria, que tal? Quem sabe se a gente conversar fora da igreja você me leve mais a sério?

Depois da surpresa, Jesus parecia um cara legal e inclusive bem bonito. Aceitei o convite para o café e nos despedimos. Ele ficou no mesmo lugar, voltou a ficar na mesma posição que antes.

Ao sair da igreja, procurei a secretaria para confirmar se o Jesus era mesmo o zelador ou eu devia evitar o encontro de hoje para sempre. A secretária da paróquia confirmou com um sorriso no rosto. - Ele é o zelador da igreja a bastante tempo, assumiu depois que o pai dele se aposentou, não precisa se assustar, as poucas pessoas que sentam perto dele vêm aqui confirmar, mesmo. Normalmente são as senhorinhas que acham que ele é um mendigo, puxam papo com ele oferecendo ajuda, mas quando ele fala que se chama Jesus elas ficam assustadas e vem denunciar ele aqui como um impostor se passando de Jesus para dar golpe nas pessoas dentro da igreja. Fiquei feliz que você não pensou nada do tipo, obrigada. Ele é um rapaz quieto e quem frequenta a igreja na maioria das vezes apenas o ignora. Por favor, fique tranquilo e tenha um bom dia.

Jesus chegou na cafeteria 15 horas em ponto. Conversamos a tarde inteira e talvez até vamos nos encontrar novamente antes de eu voltar para casa. Dos encontros improváveis que uma viagem de férias pode nos proporcionar...

Quase esqueci de contar, o nome dele na verdade é Jonas, me contou quando nos despedimos fora do hotel, ele fala que se chama Jesus porque era uma brincadeira do pai dele, o antigo zelador, que falava que ele era o filho da santa igreja, já que vivia junto com o pai naquela mesma igreja desde pequeno. E então eu confessei também que o meu era Bernardo, mas é Bernardo Marcos, então pelo menos eu não menti, só acho mais fácil para me chamarem de Marcos quando eu peço um café.

domingo, 3 de maio de 2026

Descobri minha maior limitação…

Sou uma pessoa muito simples e de convicções fortes.

Jamais imaginei que isso seria minha maior limitação.

Até hoje, sempre disse que um dos meus sonhos era que todas as pessoas pudessem fazer o que quisessem.

Como sou inocente, não é? Afinal de contas, existem muitas pessoas que querem absurdos! Assim como genocidas que querem dizimar um povo inteiro, empresários que querem explorar os funcionários pelos seus ganhos pessoais, traficantes que não se importam com as vítimas da dependência de drogas e das instituições que deveriam impedir tudo isso, serem tomadas por gente que quer tirar vantagem da prevaricação.


Sou, então, cúmplice do que prometi lutar contra, pois se quero que todos possam realizar seus desejos, quero que quem deseja o mal, possa fazê-lo.

Que peso, que pesadelo, que assustador saber o que agora sei. Que financiei assassinatos, que suportei explorações, que alimentei o crime e sustentei o poder dos malfeitores.

Que dor! Que cruel eu fui.




E agora posso finalmente me redimir. Que alívio saber que não mais sustentarei tamanha maldade no meu coração. Que ao lutar contra o que não concordo, não precisarei mais lutar contra mim mesmo, contra minha “boa ação“ disfarçada de desastre.

Discernimento jamais será demais, me dar conta de tamanha indecência me permite mudar, transformar o que parecia correto em correção.


Meu coração tremeu por um estante, a constatação se deu no trono de pensamentos, enquanto eliminava impurezas, essa limitação se mostrou, felizmente. Deixei que fosse embora junto com a água. Deixei que limpasse minha alma desse pensamento infeliz. E registro aqui, compartilho contido, pois não quero me fazer de bonzinho, como se isso nunca tivesse acontecido. Eu não posso aceitar redenção sem reparação. E acredito que assim como eu, podemos estar juntos enganados, pensando que ao fazer boas ações e nutrir bons pensamentos genéricos, fazemos a diferença para o bem e para o equilíbrio, mas o equilíbrio não está garantido até que possamos fazer enfim o contrapeso para o lado do bem, da igualdade e da distribuição devida.


Aos que pagam caro, desde muito tempo, sendo excluídos e extorquidos pelo sistema de castas, de hierarquia, cruel e infinitamente ignóbil, esse precisa pagar muito mais caro e não merece mais receber o que quer. Já tiveram o que quiseram desde antes de sua história começar a ser contada e registrada na história desde planeta Terra.


Sei agora, com clareza, que a luta por igualdade e equidade só começam de verdade quando deixamos de aceitar que quem detêm tudo continue assim, eles precisam perder, eles precisam abrir mão, eles são tão poucos com tanto ao seu dispor. Não sentiriam em nada a perda, será um alívio ser do tamanho que todos deveríamos ser: levar consigo o que nos cabe, o excesso é câncer. A falta é desnutrição, desilusão e morte.

O equilíbrio salva ambos.

Hoje aprendi, que ao inves de desejar que todos possam realizar seus desejos, desejo que todos tenham o suficiente para viver bem, sem vontade de fazer mal à ninguém, sem possibilidade de explorar ninguém, sem libertinagem!

O que eu desejo é o bem, se o mal vier também, que ele seja desestimulado, impedido, destruído.




Sabemos que o equilíbrio entre o bem e o mal é o verdadeiro objetivo, mas perceba, este é o alerta desta postagem: o bem tem lutado para sobreviver, enquanto o mal está livre, leve e solto.

Para mudar isso, mais pessoas devem passar pela mesma reflexão que eu hoje e entender onde está seu desejo que alimenta tanto o mal quanto o bem e reverter essa intenção. 

Para enfim equilibrar o bem e o mal, o mal precisa perder 70% do seu atual poder sobre a mente das pessoas ao redor do mundo, o capitalismo deve ser superado com urgência, as guerras e armas não podem mais ser reproduzidas e as crianças serem ensinadas desde a escola sobre suas emoções, seus desejos para impedir que elas aceitem o status quo que impede a população de prosperar quando o lucro fica com o patrão se somos nós que produzimos a riqueza.


Não espero que os mais velhos cheguem facilmente à mesma conclusão, mas acredito que se começarmos agora com as crianças, em uma ou duas gerações, elas não mais destruirão a natureza por lucros imediatos, não explorarão seus irmãos por saber que não quereriam ser exploradas e enfim estaremos em um novo mundo. Uma nova realidade mais equilibrada.


Pessoas cruéis ainda existirão, mas elas não poderão ser cruéis com uma nação inteira, terão suas ações limitadas e enfim o equilíbrio será real.

Enfim. Equilíbrio…




sábado, 25 de abril de 2026

O que é ser um momento fora do tempo?

Todos os dias, se estivermos atentos, descobrimos um pedaço de nós.

Um pedaço que faz falta, um pedaço que complementa.

Ou até mesmo um que se desenvolveu com o tempo, com a calma, com a alma…


Hoje despertei para um momento, o simples apreciar de um prato de comida.

Um prato de comida que conforta, que relembra, que abraça.

Que me fez lembrar de pessoas queridas, que não estão mais comigo.

Porque eu não vou embora de mim, algumas pessoas vão.


Um pedaço que nunca me chamou atenção antes, hoje se revelou: eu sou pleno.

Em tudo que eu faço. Em tudo que sinto e em tudo que eu sou.

Eu comia e sorria, enquanto pensava no amigo com quem dividi diversas vezes o mesmo prato, a amiga com que eu podia ser pleno sem me sentir em perigo, eu saboreava o frango com laranja e sorria.

Eu estava pleno. O momento parado, as pessoas ao redor em turbilhão, eu em paz.

Saboreando, aproveitando, me deliciando.

Com o prato, com os sabores, com as memórias, com os sorrisos que saiam sem freios.


Uma única refeição, um prato pequeno, que desde sua montagem já trazia toda sensação de alívio, de suavidade, de presença comigo mesmo.

Ao pagar a conta eu disse ao atendente: Gratidão por continuarem aqui. E sorri de novo.

Tanta coisa mudou, tanto do que era precioso se perdeu com o passar do tempo e com as mudanças de circunstâncias. E esse lugar, com seu frango com laranja perfeito, precioso, calmante, continuam ali, ao alcance.


Todos os dias podemos nos encontrar com pedaços novos de nós mesmos.

Pedaços que nunca foram embora ou pedaços que nasceram agora.

E não sei dizer se eles também morrem e vão embora.

Depois voltam a nascer, ou se na verdade, reencontram o caminho de volta.


Com minha nova parte, tão conhecida, me trouxe junto tanto alívio.

Eu sou pleno e isso pode ser um desencanto para tanta gente…

Pleno, profundo, complexo e complicado. Tão complicado que sorri com um prato de comida, no meio de um milhão de estranhos.

Tem quem só diga que sou maluco, louco, desvairado!

Isso também, com certeza. Principalmente porque plenitude é um pouco caro num mundo meio cheio.

Meio cheio para mim sempre será raso. Pouco. Triste. Pesado.


Fiquei sabendo que muitos gostam mesmo de quem é fácil de levar…

Eu sou fácil de ficar e com isso o povo não aprendeu a lidar.

Eu levo embora quem não fica, enquanto muita gente vai embora quando quer mesmo é ficar.

Você fica quando quer ir embora?

E vai embora quando o que quer mesmo é ficar, ali, para sempre?

É por educação, para não fazer desfeita, para não ficar chato. Fica chato porque deixa de ser real.

Fica chato não ficar chato, fica pesado quando não é pleno, quando ninguém faz o que quer…


E eu sei, para os rasos, os encontros devem ser assim também.

Para ser ideal, mesmo, melhor que os iguais se encontrem e os opostos se despeçam.

Fomos ensinados a fazer tudo bem errado, percebe?

E eu percebi isso desde pequeninho. Bem inocentizinho. Bem cheio de mim.

Ser pleno em um mundo meio cheio, têm desses dilemas e problemas e empecilhos.


Quando os iguais se encontram, os opostos não precisam se engalfinhar.

Ao ser assim, também é pleno. Pois que a plenitude está disponível para todos.

Sem pressa, sem peso, sem vontade de sair se quer permanecer e depois do entardecer, poder fazer uma serenata e uma caminhada ao luar.

Porque para o raso, vai ser romântico.

E para o pleno vai ser um momento fora do tempo…


Você tem tempo de ser plenamente quem você é?

Tem com quem ser você?

Eu sei… eu sei.

Eu também. Eu, também…




segunda-feira, 6 de abril de 2026

Viver, mata.

    Dispensa elaborar esse conceito tão dicotômico. Dispensa porque não importa o que eu diga, minha vida é minha morte e para você será vida. E para mim tantas vidas são a morte.

Vivo, morto, morto, vivo.

    Na brincadeira lúdica de uma infância não tão distante, estava a chave de todo um complexo sistema que envolve toda a vida, até a morte. Especialmente o além morte.

Vivo, vivo, morto! Vivo! Morto, morto, morto, morto, morto…


    Morto de tanto viver, vivo de tanto morrer, mas ao mesmo tempo, nada de vivo temos hoje em dia em nossas vidas. Só o efêmero. Quase morto enquanto vive, mais vivo que nunca depois de morto. O momento presente. O momento infinito, que passa sem nunca acabar. Acordamos no presente, vivemos no presente, morremos no presente. E nada sabemos sobre ele.

O passado podemos nos lembrar. O futuro podemos sonhar.

O presente: abstração absoluta de uma vida inteira.


    Viver o presente, parece tão simples, mas ele é infinito, nossa mente não foi treinada para viver o infinito, sabemos contar, sabemos detalhar, sabemos tudo que é preciso saber para que o que começamos termine. Não sabemos lidar com o que não tem fim, não pode ser definido, não pode ser controlado ou registrado como referencial. O presente se sente, se vive, se experiencia. Cada um do seu jeito. Sem possibilidade de se preparar com relatos alheios, pois as chances de acerto mais prováveis ficam em no máximo 50% a cada segundo. Se a estatística é de 50% com uma repetição tão frequente, na verdade ela não determina nada, não guia, não prevê, não agrada. É apenas incerteza ou, melhor dizendo, a comprovação da incerteza.

    Por isso temos essa intensa dificuldade de experienciar o aqui e o agora. Ele está sempre vindo, sempre rápido demais para ser registrado, sempre incerto, sempre perto demais e ao mesmo tempo, bem, a cada letra neste texto, ele já acabou. Passou, tão fresco, tão efêmero, tão morto. O passado fica, o presente nunca chega. O futuro vai chegando e pode ficar 50 anos na nossa frente sem nos incomodar. O presente, parece que nunca estará plenamente conosco. Presente.


    O presente é a morte em vida e para aproveitar, não quero interrupções, nem espero nada mais do que aqui já está. O presente é fugaz e facilmente interrompido. Um barulho alto demais e vamos direto para o passado, quando ouvimos algo semelhante, procurando referências e preparando nossa reação sobre o ponto de vista do que já passou.

    Quando ele está bem calmo e relaxante, viajamos para o futuro, onde construímos um castelo de cartas que podem nos abrigar do marasmo, nos soterrando no primeiro vento de um roteiro melhor que vai passar voando pela mente, sempre em trânsito.


    Ah, o presente, ele está em todos os lugares, preso conosco no fim do futuro e passeando paciente pelas histórias do passado. Em estradas de terra onde fomos ver o pôr do sol, naquela viagem em 1987, e na vontade de ir para lá novamente, mesmo que os prédios hoje atrapalhem a vista, depois do passado ser completamente transformado por uma sequência enorme de presentes apressados, lotados de gente e mudanças de estação.

    Choveu, esfriou, mudou o cenário e tudo isso foi presente um dia. Hoje é passado. E o futuro mudou várias vezes de lá para cá. E no meio tempo, só o presente não ficou…

Se esse amor desaparecesse hoje

Imagem final do filme "Se esse amor desaparecesse hoje" 


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Existem pessoas que estão sempre tristes...

É o tempo, que é diferente de pessoa para pessoa.

Sei que é difícil compreender, já que só podemos perceber como é para nós. A experiência do outro, só o outro pode saber. E mesmo assim, eu sei.

Eu sei sobre mim e eu sei que é diferente para você, mas não é mágica, na verdade é bem simples.

Você mesmo me contou.


A gente se comunica com muito mais clareza quando não dizemos nada. Para mim é melhor assim.

Quando dizemos algo, podemos mentir. Quando dizemos sem querer dizer.

E o tempo de cada um, a quantidade de palavras que cabem em um minuto, eles também são diferentes. 

Os significados do tempo, de cada um e em cada momento, mudam.




Mas por que o título diz que algumas pessoas são sempre tristes?

Você realmente não sabe? Ou nem mesmo quer saber?

Se está lendo, talvez queira apenas confirmar, se o que pensa faz sentido. Se é verdade, de verdade, que isso é possível.

É verdade para mim. É verdade para você?

É verdade que, de verdade, só nós mesmos podemos dizer.


Eu sou uma pessoa que está sempre feliz, ao contrário do que a maioria das pessoas diz: dizem que só existem momentos de felicidade, não existe felicidade o tempo inteiro.

Eu não acredito.

Mas quando dizemos que existe tristeza, ninguém duvida.


Podia terminar aqui, não é? Já teria feito você refletir o suficiente...?

Depende. Sempre depende. Mais uma vez isso muda de pessoa para pessoa.

Será que existem pessoas que não mudam de uma pessoa para outra?

Só que aqui, eu fugi intencionalmente do tema. Só para me divertir.


Pessoas que estão sempre tristes são as que acreditam demais nos outros.

Em todos os sentidos, mas especialmente quando o que os outros dizem vem de um lugar de muito prestígio, mas se choca completamente com os nossos sentimentos.

Quando se choca com os nossos sentimentos mais profundos, é porque o que o outro diz não deveria importar.

Mas, "foi Deus quem disse". Você é Deus? Se não é, ignore Deus. Você é você e você sabe mais de você do que qualquer outra pessoa. Até mais que "Deus".

Chocante, não é? Não é para mim... Porque para mim, Deus não quer que eu me deixe de lado.

Pessoas tristes, se deixam de lado. Não importa a razão. Elas se deixam de lado.

Eu já me deixei de lado. Não recomendo.

Não é difícil estar sempre ao seu lado e mesmo assim ser bom para outras pessoas, mas se deixar de lado para fazer isso, é péssimo!

E as pessoas ficam tristes. O pior jeito de ser triste: sem saber que estão tristes.




Eu sei que não é profundo, que não é o suficiente, que este texto é só um começo.

Lê de novo! Vai se surpreender com quanto pode mudar ao ler apenas mais uma vez.

E se você tiver coragem de ser feliz, lê devagar.

E se você estiver triste, especialmente sabendo que está triste, depois de terminar de ler, é importante buscar ajuda. Ajuda profissional, de preferência.

É difícil sair disso sozinho, porque as estruturas da tristeza nunca vem sozinhas. Os outros jogam muitas coisas sobre a gente e limpar isso sozinho é pedir para ser soterrado. Não se julgue por precisar de ajuda. 


Todos precisamos de ajuda.

Especialmente quando estamos felizes. Mas sempre por estarmos vivos.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Um lugar para morar...

Quero morar num lugar onde as folhas que caem das árvores não sejam varridas

Que deixem o caminho colorido e cheio de vida

Fazendo o Sistema todo florir

E quem passe na rua sorrir



Sei que meu desejo é bem simples, possível fazer,

Onde eu vivo porém, não bastou deixar de varrer

As folhas são levadas pelo vento

E a vida foi ceifada pelo tempo



O Sistema não existe, está corrompido

.Irreconhecível...

Os valores e os preços são invertidos




As pessoas são um templo vazio

Sem manutenção

As pegadas não são de um indivíduo, são...

Fim.


domingo, 1 de março de 2026

Eu sou o Café, você acorda?

 Amo café, quem me conhece, sabe.

E, brincadeiras à parte, por tanto amar café, um dia inspirado por questões da vida e por minha caneca de café, tirei uma foto sem camisa, com olhos atentos, em posição de gratidão e de pronto a mensagem chegou:

Eu sou o Café 

Eu te acordo

Você acorda?

Veio para que eu pudesse compartilhar e provocar reflexão. Para mim e para quem pudesse alcançar.

Um colega ficou bastante mexido com a provocação. Eu, nem tanto. Hoje entendi uma das razões.


Um lugar onde eu pudesse provocar reflexões sem me distanciar tanto. Onde haja troca, mesmo que com poucas pessoas, uma possibilidade de tomar apenas uma xícara de café, 5 minutos, mas que isso significasse que ambos, eu e o café, eu e você, você e o seu café, ou chá, ou suco, pudéssemos acordar.

Sem alarde…

Desprender do que nos adormece, fortalecer um pouco mais o espírito, chegar 1 grau mais próximo do equilíbrio e seguir em frente.

Um café de cada vez…

Uma troca que nutre e conforta.

Uma risada que renova.

Uma força que não precisa forçar nada, nem exige movimento, ao desfazer a tensão e preparar para as escolhas que se seguem e se exigem ao estar vivo.

Então que, ao estar vivo, seja conscientemente e em busca do inteiro. 

Um café de cada vez…


Eu acordo, você topa acordar, também?


Eu sou o Café


Uma visita à igreja...

Fui visitar uma daquelas igrejas enormes, em um dos dias em que ela estava mais cheia, nenhum banco vazio pelos corredores gigantes. Muitas ...