Estava preso, mas não me sentia verdadeiramente preso.
Me privaram do prazer, mas me encontrei com o prazer do meu mundo. E foi onde me desenvolvi…
Sou diferente das pessoas, pois não busco o prazer dos outros, nem me comparo tanto.
O original me cativa e é meu cativeiro, já que o normal e o comum não me agradam.
Busco o estratosférico e nada mais importa!
O normal me deixa fraco, sem apetite. Enquanto isso, o simples me encanta.
Um sorriso sincero tem vida!
Uma palavra é uma poesia se dita com o coração e com os olhos.
Quem fala com os olhos é a alma.
Quem sorri com o coração me salva de mim mesmo.
E eu quero salvar todo mundo de si. Queria…
Você aí!
Socorro!
Você está caindo!
Pare aí, você não vê?
Não sabe quem você é e imita qualquer um…
É suficiente fingir ser?
Este não é você, mas… eu consigo te ver, fugindo, de quem pode ser.
E será que todo mundo me vê fugindo de mim? E fogem de me dizer?
Então fogem de mim, porque eu digo?
Não me dizem nada, nem mesmo por vingança…
E estão tão ocupados fugindo de si mesmos, que eu passo, desimportante. Eu passo olhando tudo, procurando por mais um pedaço de mim entre tantos perdidos, deixados de lado, abandonados pelo mundo.
O que doeu, dói ou vai doer tanto, para tantos se abandonarem, fugindo de olhar para quem está ao lado, próximo? Que medo é esse, tão grande, que faz o espelho ser o pior inimigo?
O que ele reflete que nos faz olhar para o outro lado?
E por que eu me apaixonei?
Esse espelho me cativou, com todos os seus defeitos.
Por causa dos seus defeitos.
Estou buscando por mim, tão ávido que todo lugar, fresta, espaço, olho com atenção, para ter certeza que não deixei nada de mim passar.
E acabo gostando tanto de me procurar que, às vezes, me engano ao me ver onde não quero mais estar.
Onde não caibo por inteiro, onde não me querem nem pela metade, onde não sou aceito.
Bem vindo se for embora, bem vindo se for meio falso, bem vindo com a vassoura atrás da porta de entrada.
Desse jeito, vou me encontrando, resgatando em mim o que foi rejeitado, tirando dos tiranos o meu bem mais valioso.
Assim me encontro e vou costurando novamente minha alma solitária. Que enxerga além do alcance, que sente como é ser inteiro, que sabe quando fugi de mim mesmo para evitar me adaptar ao que não fazia sentido.
A vida é sobre isso…
Fazer sentido, pois assim podemos sentir.
Sem sentido, não tem sentimento, emoção, possibilidade de ação. Realização!
Sem forçar, sem sacrificar, nem mortificar. A morte, ela virá, sem convite. Evite convidar.
A vida já está aqui. Também sem convite, pois é ela quem convida a gente a experimentar.
Já estamos aqui, então basta viver. Não tem roteiro a ser seguido, deus a ser temido ou diabo a te tentar.
Temos eu e vocês, com o infinito.
Onde podemos existir como somos, ou fugir e fingir ser como outro.
Eu escolhi me encontrar.
E você, o que escolherá?
