sábado, 25 de abril de 2026

O que é ser um momento fora do tempo?

Todos os dias, se estivermos atentos, descobrimos um pedaço de nós.

Um pedaço que faz falta, um pedaço que complementa.

Ou até mesmo um que se desenvolveu com o tempo, com a calma, com a alma…


Hoje despertei para um momento, o simples apreciar de um prato de comida.

Um prato de comida que conforta, que relembra, que abraça.

Que me fez lembrar de pessoas queridas, que não estão mais comigo.

Porque eu não vou embora de mim, algumas pessoas vão.


Um pedaço que nunca me chamou atenção antes, hoje se revelou: eu sou pleno.

Em tudo que eu faço. Em tudo que sinto e em tudo que eu sou.

Eu comia e sorria, enquanto pensava no amigo com quem dividi diversas vezes o mesmo prato, a amiga com que eu podia ser pleno sem me sentir em perigo, eu saboreava o frango com laranja e sorria.

Eu estava pleno. O momento parado, as pessoas ao redor em turbilhão, eu em paz.

Saboreando, aproveitando, me deliciando.

Com o prato, com os sabores, com as memórias, com os sorrisos que saiam sem freios.


Uma única refeição, um prato pequeno, que desde sua montagem já trazia toda sensação de alívio, de suavidade, de presença comigo mesmo.

Ao pagar a conta eu disse ao atendente: Gratidão por continuarem aqui. E sorri de novo.

Tanta coisa mudou, tanto do que era precioso se perdeu com o passar do tempo e com as mudanças de circunstâncias. E esse lugar, com seu frango com laranja perfeito, precioso, calmante, continuam ali, ao alcance.


Todos os dias podemos nos encontrar com pedaços novos de nós mesmos.

Pedaços que nunca foram embora ou pedaços que nasceram agora.

E não sei dizer se eles também morrem e vão embora.

Depois voltam a nascer, ou se na verdade, reencontram o caminho de volta.


Com minha nova parte, tão conhecida, me trouxe junto tanto alívio.

Eu sou pleno e isso pode ser um desencanto para tanta gente…

Pleno, profundo, complexo e complicado. Tão complicado que sorri com um prato de comida, no meio de um milhão de estranhos.

Tem quem só diga que sou maluco, louco, desvairado!

Isso também, com certeza. Principalmente porque plenitude é um pouco caro num mundo meio cheio.

Meio cheio para mim sempre será raso. Pouco. Triste. Pesado.


Fiquei sabendo que muitos gostam mesmo de quem é fácil de levar…

Eu sou fácil de ficar e com isso o povo não aprendeu a lidar.

Eu levo embora quem não fica, enquanto muita gente vai embora quando quer mesmo é ficar.

Você fica quando quer ir embora?

E vai embora quando o que quer mesmo é ficar, ali, para sempre?

É por educação, para não fazer desfeita, para não ficar chato. Fica chato porque deixa de ser real.

Fica chato não ficar chato, fica pesado quando não é pleno, quando ninguém faz o que quer…


E eu sei, para os rasos, os encontros devem ser assim também.

Para ser ideal, mesmo, melhor que os iguais se encontrem e os opostos se despeçam.

Fomos ensinados a fazer tudo bem errado, percebe?

E eu percebi isso desde pequeninho. Bem inocentizinho. Bem cheio de mim.

Ser pleno em um mundo meio cheio, têm desses dilemas e problemas e empecilhos.


Quando os iguais se encontram, os opostos não precisam se engalfinhar.

Ao ser assim, também é pleno. Pois que a plenitude está disponível para todos.

Sem pressa, sem peso, sem vontade de sair se quer permanecer e depois do entardecer, poder fazer uma serenata e uma caminhada ao luar.

Porque para o raso, vai ser romântico.

E para o pleno vai ser um momento fora do tempo…


Você tem tempo de ser plenamente quem você é?

Tem com quem ser você?

Eu sei… eu sei.

Eu também. Eu, também…




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