Sou uma pessoa muito simples e de convicções fortes.
Jamais imaginei que isso seria minha maior limitação.
Até hoje, sempre disse que um dos meus sonhos era que todas as pessoas pudessem fazer o que quisessem.
Como sou inocente, não é? Afinal de contas, existem muitas pessoas que querem absurdos! Assim como genocidas que querem dizimar um povo inteiro, empresários que querem explorar os funcionários pelos seus ganhos pessoais, traficantes que não se importam com as vítimas da dependência de drogas e das instituições que deveriam impedir tudo isso, serem tomadas por gente que quer tirar vantagem da prevaricação.
Sou, então, cúmplice do que prometi lutar contra, pois se quero que todos possam realizar seus desejos, quero que quem deseja o mal, possa fazê-lo.
Que peso, que pesadelo, que assustador saber o que agora sei. Que financiei assassinatos, que suportei explorações, que alimentei o crime e sustentei o poder dos malfeitores.
Que dor! Que cruel eu fui.
E agora posso finalmente me redimir. Que alívio saber que não mais sustentarei tamanha maldade no meu coração. Que ao lutar contra o que não concordo, não precisarei mais lutar contra mim mesmo, contra minha “boa ação“ disfarçada de desastre.
Discernimento jamais será demais, me dar conta de tamanha indecência me permite mudar, transformar o que parecia correto em correção.
Meu coração tremeu por um estante, a constatação se deu no trono de pensamentos, enquanto eliminava impurezas, essa limitação se mostrou, felizmente. Deixei que fosse embora junto com a água. Deixei que limpasse minha alma desse pensamento infeliz. E registro aqui, compartilho contido, pois não quero me fazer de bonzinho, como se isso nunca tivesse acontecido. Eu não posso aceitar redenção sem reparação. E acredito que assim como eu, podemos estar juntos enganados, pensando que ao fazer boas ações e nutrir bons pensamentos genéricos, fazemos a diferença para o bem e para o equilíbrio, mas o equilíbrio não está garantido até que possamos fazer enfim o contrapeso para o lado do bem, da igualdade e da distribuição devida.
Aos que pagam caro, desde muito tempo, sendo excluídos e extorquidos pelo sistema de castas, de hierarquia, cruel e infinitamente ignóbil, esse precisa pagar muito mais caro e não merece mais receber o que quer. Já tiveram o que quiseram desde antes de sua história começar a ser contada e registrada na história desde planeta Terra.
Sei agora, com clareza, que a luta por igualdade e equidade só começam de verdade quando deixamos de aceitar que quem detêm tudo continue assim, eles precisam perder, eles precisam abrir mão, eles são tão poucos com tanto ao seu dispor. Não sentiriam em nada a perda, será um alívio ser do tamanho que todos deveríamos ser: levar consigo o que nos cabe, o excesso é câncer. A falta é desnutrição, desilusão e morte.
O equilíbrio salva ambos.
Hoje aprendi, que ao inves de desejar que todos possam realizar seus desejos, desejo que todos tenham o suficiente para viver bem, sem vontade de fazer mal à ninguém, sem possibilidade de explorar ninguém, sem libertinagem!
O que eu desejo é o bem, se o mal vier também, que ele seja desestimulado, impedido, destruído.
Sabemos que o equilíbrio entre o bem e o mal é o verdadeiro objetivo, mas perceba, este é o alerta desta postagem: o bem tem lutado para sobreviver, enquanto o mal está livre, leve e solto.
Para mudar isso, mais pessoas devem passar pela mesma reflexão que eu hoje e entender onde está seu desejo que alimenta tanto o mal quanto o bem e reverter essa intenção.
Para enfim equilibrar o bem e o mal, o mal precisa perder 70% do seu atual poder sobre a mente das pessoas ao redor do mundo, o capitalismo deve ser superado com urgência, as guerras e armas não podem mais ser reproduzidas e as crianças serem ensinadas desde a escola sobre suas emoções, seus desejos para impedir que elas aceitem o status quo que impede a população de prosperar quando o lucro fica com o patrão se somos nós que produzimos a riqueza.
Não espero que os mais velhos cheguem facilmente à mesma conclusão, mas acredito que se começarmos agora com as crianças, em uma ou duas gerações, elas não mais destruirão a natureza por lucros imediatos, não explorarão seus irmãos por saber que não quereriam ser exploradas e enfim estaremos em um novo mundo. Uma nova realidade mais equilibrada.
Pessoas cruéis ainda existirão, mas elas não poderão ser cruéis com uma nação inteira, terão suas ações limitadas e enfim o equilíbrio será real.
Enfim. Equilíbrio…


